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FILOSOFIA EMPRESARIAL

Autor: Adriana Cruz Toledo

Juan Enriquez, especialista em filosofia dos negócios adverte que os países bem-sucedidos não são necessariamente os maiores e mais poderosos, nem os que sobrevivem, mas os que se adaptam.

Por que aparecem e desaparecem países e o que os fazem mudar a si próprios e a suas economias? Encontrar a resposta para esta questão levou Juan Enriquez, CEO da Biotechonomy, a pesquisar durantes dez anos. “Eu descobri que as nações bem-sucedidas não são as maiores e mais poderosas, nem as que sobrevivem, mas as que se adaptam. Não é a política que “faz” o ser humano, mas a sua habilidade de se adaptar ao mundo a partir da ciência.”

O filósofo Juan Enriquez exemplifica que, no México, a média de crescimento anual tem sido de 24% desde 1976, apesar de alguns presidentes terem implementado políticas de abertura de mercado e obtido certo êxito. Outro exemplo é a China que, com uma economia mais fechada, um sistema comunista e um planejamento controlado pelo Estado, é hoje um dos países que registra maior crescimento na Ásia.

“Existem países que são um desastre”, alerta o Mestre em Administração de Empresas pela Universidade de Harvard. “Alguns deles, com menor êxito, são latino-americanos e, curiosamente, têm sido governados por pessoas com doutorado em Economia. E por que isso não ocorre nas nações asiáticas? Porque elas já não se baseiam mais na agricultura; agora promovem o crescimento econômico a partir do conhecimento e as que não o fazem se tornarão cada vez mais insignificantes”, garante Enriquez.

O México, afirma, tem sua economia baseada na criação de gado, plantio de trigo e milho, extração de prata e petróleo; entretanto, em termos reais, produz pouco conhecimento. Em contrapartida, empresas como YouTube, Google e Microsoft têm gerado a maior riqueza do planeta em pouco tempo. Outro fator apontado pelo especialista é que “existe o mesmo número de empresas listadas na bolsa de valores mexicana hoje em relação a 1985, sendo que esta realidade também se aplica à Argentina”. “E se não temos mais empresas, não podemos ter mais empregos, não há como melhorar os salários e nem como subir o valor dos bens de raiz”, complementa.

O fundador da área de Ciências da Vida, da Escola de Negócios da Universidade de Harvard, salienta ainda que: “neste tipo de país existem empresários bastante competentes, mas se continuarem produzindo apenas cimento, refrescos, tabaco, vidro e, sobretudo, a defender monopólios e concessões governamentais, terão problemas porque criarão uma economia que não é saudável”.

Além disso, a tecnologia digital e as ciências da vida estão transformando a economia mundial, destaca o especialista em economia. Negócios relacionados aos setores químico, têxtil, alimentício, médico, farmacêutico e de energia já sofreram mudanças; e hoje é muito difícil encontrar uma área que não tenha algo a ver com mudança nos hábitos.

A Dupont, exemplifica Enriquez, já não fabrica produtos derivados do petróleo, mas desenvolve novos produtos a partir de bactérias que criam materiais biodegradáveis. Além disso, podem-se citar as sementes que estão sendo modificadas geneticamente para se tornarem mais resistentes a situações climáticas extremas. “Em pouco tempo, teremos alimentos que ajudarão a combater o câncer etc.”

Educação: uma questão de segurança nacional - “Infelizmente, no México [e esta realidade pode ser aplicada ao Brasil também**], percebe-se a educação somente como um direito e não como uma questão de segurança nacional e desenvolvimento do país. E isso permite usá-la como instrumento político mas não como ferramenta de crescimento”, afirma Enriquez que também já foi membro da Comissão da Paz para negociar o cessar fogo na rebelião zapatista em Chiapas.

“Os estudantes mexicanos, por exemplo, voltam-se para carreiras como arquitetura, comunicação, letras, artes, música, poesia e administração, ou seja, escolhem as que lhes podem torná-los bem-sucedidos “individualmente”, mas não necessariamente os levam a criar companhias de milhões de dólares”, assinala Enriquez alertando que no México não dá a devida atenção ao quesito educação.

“Todos os políticos prometem fazer isso... Mas também é preciso, sobretudo, medir os resultados e ver como um jovem mexicano pode ser competitivo com outro de Cingapura ou da Coréia, que se dedicaram mais à educação, ao passo que nós, mexicanos, deixamos o tempo passar.”

O fundador e sócio da Synthetic Genomics, empresa especializada em biologia sintética, afirma que não é necessário investir mais em educação, mas exigir das crianças que estudem em vez de “preocuparem-se” em jogar futebol.

As conseqüências deste descuido mencionado por Enriquez é que as gerações atuais estão fazendo o que seus avôs faziam em vez de serem inovadoras. “Nos próximos cinco anos, duplicaremos o número de dados gerados em toda a história e se não treinarmos nossos filhos a “saber” aprender, entender sobre ciência e tecnologia, e em fundar empresas baseadas nestes princípios, seguiremos com menor relevância na economia mundial.”

O especialista cita como exemplo de grandes e rápidas transformações o caso da empresa Skype que provê chamadas telefônicas pela internet e que tirou mercado das empresas de telecomunicações. “Antes, uma empresa até durava 500 anos, hoje não chega aos 13.”

Questionado sobre qual a melhor maneira de fazer com que as crianças se interessem por ciência, Enriquez devolve: “Como é possível que deixemos que não tenham interesse pela ciência? Toda criança gosta de fazer experimentos, descobrir coisas novas, ver planetas, perceber como se comportam os elementos... Talvez por isso sejamos a espécie que mais aprende.”

** Nota tradutora /editora : Lílian Féres, gerente de conteúdo da HSM.

Toledo, Adriana Cruz - El Universal

Fonte: El Universal | Portal HSM On-line



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