Será a redenção do BNDES?

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A iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) de desenvolver um Planejamento Estratégico (o maior da história da organização) foi anunciada no último dia 11, e além de bem-vinda é a grande oportunidade do banco sexagenário alçar novos rumos e se redimir com a sociedade.

O projeto é de longe o meio mais eficiente para alcançar os novos objetivos do banco, que pretende definir horizontes de médio a longo prazo, até 2030.

Diretamente ligado ao constante desvio do nobre propósito do banco que é o fomento do desenvolvimento dos negócios no Brasil, por meio da oferta de crédito ao empresariado, principalmente para os pequenos e médios.

Dados do BNDES mostram que só em 2014, 62% de seus desembolsos foram destinados a empresas de grande porte, o que põe em descrença o título de fomentador “do desenvolvimento social”.

Sem falar dos valores dos contratos assinados no mesmo ano, que foi comprovado que só as grandes empresas receberam, apenas em 2014, um montante que soma os 117 bilhões de reais, de um total de 187 bilhões de dinheiro distribuído.

Prova do uso irrestrito do banco como moeda de troca dos governos para a liberação de recursos à iniciativa privada, levando a injustiças e desigualdades nos critérios de liberação do investimento no Brasil.

Enquanto as grandes empresas receberam o benefício de empréstimos vultosos, as micros e médias empresas patinaram em sua expansão com dificuldade de captação de recursos para seus investimentos.

Outra iniciativa questionável é a participação do BNDES como sócio de negócios duvidosos e empresas corruptas. E como se já não bastasse o banco destinou recursos preciosos para o fomento de obras e negócios além de nossas fronteiras, com claro intuito político e populista.

Com um histórico desses é óbvio que a efetividade do BNDES, bem como sua imagem para a sociedade, foi comprometida. Por isso, é clara a necessidade do banco rever seu posicionamento e importância para o Brasil, desde que conduza este Planejamento Estratégico de forma séria, e a direção esteja comprometida a desafiar o governo e os setores da economia, realmente afim de promover mudanças, não se rendendo aos interesses políticos.  Porque só assim será possível ganhar independência na tomada de decisão, para então fomentar o crescimento das empresas e negócios brasileiros.

Os consultores externos têm agora essa difícil missão de serem ouvidos, e elaborarem um planejamento que seja guiado com experiência e novas práticas para o mercado. Essa iniciativa mostra o interesse do BNDES de rever seu posicionamento e adotar novas políticas para subsidiar o crescimento dos negócios no Brasil. Contudo, se a direção não se desafiar para adotar práticas modernas de gestão, que certamente serão discutidos neste Planejamento Estratégico, dificilmente conseguirá rever seu modelo de negócio.

Fontes: BNDES, G1.

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